Como acontece a transmissão da hanseníase?

A transmissão se dá entre pessoas. Uma pessoa doente que apresenta a forma infectante da doença (multibacilar – MB), estando sem tratamento, elimina o bacilo pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo assim transmiti-lo para outras pessoas suscetíveis. O bacilo de Hansen tem capacidade de infectar grande número de pessoas, mas poucas pessoas adoecem porque a maioria tem capacidade de se defender contra o bacilo. O contato direto e prolongado com a pessoa doente em ambiente fechado, com pouca ventilação e ausência de luz solar, aumenta a chance da pessoa se infectar....

Qual a conduta para pacientes com Hanseníase, poliquimioterapia completa e crises reacionais do tipo 2 frequentes, apesar de uso contínuo de talidomida?

Na hipótese de não ter sido feito uso de corticóides, cursos de Prednisona por períodos curtos pode ajudar na resolução da sintomatologia e na prevenção de seqüelas das reações hansênicas tipo 2, a cada nova “crise”. Importante ressaltar que seu uso é mandatório nos casos de comprometimento neural, irite ou iridociclite, orquiepididimite, mãos e pés reacionais, nefrite, eritema nodoso necrotizante e vasculite. Alternativamente à Talidomida, Clofazimina pode ser usada na dose de 300 mg/dia com uma redução gradual para 100 mg/dia ou menos, após boa resposta, por longos períodos....

Quais os nervos e articulações mais acometidos em pacientes com hanseníase?

Os nervos mais acometidos em pacientes com Hanseníase1 (geralmente em casos de reações do tipo I): Ulnar e Mediano (“mão em garra”); Fibular comum (“pé caído” ou “foot drop”); Tibial posterior (artelhos em garra e insensibilidade plantar); Facial; Cutâneo radial; Auricular magno. Perdas sensoriais e motoras geralmente irão se desenvolver na distribuição destes nervos, quando a doença não for tratada a tempo. Isto poderá gerar sequelas na forma de deformidades articulares (descritas acima entre parênteses)....

Em pacientes adultos com sequelas de hanseníase que apresentam escaras de decúbito o tratamento para estas escaras é o convencional?

Sim, o tratamento é o convencional, mas a hanseníase interfere no processo de cicatrização das úlceras, porém os profissionais da equipe multiprofissional devem estar atentos à identificação dos diversos fatores que podem interferir na cicatrização e identificar as diferenças entre a pele íntegra e a lesada destacando sempre, a importância da prevenção de traumas, ulcerações e consequentes incapacidades. As úlceras podem ser classificadas, quanto a causa, em: cirúrgicas, não cirúrgicas; segundo o tempo de reparação, em agudas e crônicas, e, de acordo com a profundidade, em relação a extensão da parede tissular envolvida (epiderme, derme, subcutâneo e tecidos mais profundos, como músculos, tendões, ossos e outros), em graus, I, II, III e IV....

Qual o papel do Agente Comunitário de Saúde no combate à hanseníase?

O diagnóstico precoce da hanseníase e o seu tratamento adequado evitam a evolução da doença e, conseqüentemente, impedem a instalação das incapacidades físicas por ela provocadas. Como hoje em dia o tratamento da hanseníase não é mais um problema, principalmente após o desenvolvimento de medicações altamente efetivas, necessitamos que o diagnóstico precoce seja o mais competente possível. Nesse sentido o trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS) está em orientar para comparecimento a consulta médica, com o médico de família da equipe da qual faz parte todas as pessoas com: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade e/ou; acometimento de nervo (s) com espessamento neural (mais fácil de ser observado em cotovelos e joelhos)....

Em pacientes residentes em áreas endêmicas ou contactantes domiciliares de portadores de hanseníase, o uso de quimioprofilaxia é eficaz na prevenção da doença?

O uso da quimioprofilaxia é eficaz em reduzir a incidência de hanseníase, particularmente entre contactantes domiciliares, que possuem um maior risco de desenvolver a doença. A revisão permite concluir a favor da efetividade do uso de quimioprofilaxia com dapsona e acedapsona na prevenção da hanseníase. Entretanto sabe-se que estes estudos também levantaram uma questão importante: o desenvolvimento de resistência à medicação, quando usada em larga escala e em monoterapia. Surge, portanto um dilema entre uma ação individual e a responsabilidade com a coletividade....

Em pacientes suscetíveis o uso da vacina BCG contribui na prevenção primária da hanseníase?

O uso da vacina BCG em indivíduos susceptíveis à hanseníase parece ser capaz de oferecer alguma proteção, podendo ser uma opção na prevenção primária da doença. Segundo o Colégio Canadense de Médicos de Família, é uma atribuição destes profissionais a elaboração, execução e avaliação de ações de prevenção primária voltadas à população sob sua responsabilidade. A vacinação com BCG como prevenção da Hanseníase é um caso que ilustra bem esta situação, principalmente por tratar-se de doença endêmica em nosso meio....