Qual o manejo inicial do paciente com diagnóstico recente de fibrilação atrial assintomático?

Frente a um paciente com fibrilação atrial (FA) assintomática identificada recentemente, a primeira conduta a ser tomada é avaliar a necessidade de encaminhamento a um serviço de urgência, que deve ocorrer no caso de pulso maior que 150 bpm e/ou pressão arterial baixa (PA<90 mmHg). Descartada urgência, é importante procurar identificar possíveis causas ou fatores precipitantes, por meio da avaliação dos seguintes exames: Eletrocardiograma (ECG) – a princípio já realizado (é possível identificar condições como Hipertrofia ventricular esquerda, infarto do miocárdio prévio, etc); Testes de função tireoidiana (excluir hipertireoidismo); Hemograma completo (excluir anemia); Creatinina, eletrólitos, cálcio e glicemia (excluir distúrbios eletrolíticos que podem precipitar fibrilação atrial); Testes de função hepática e testes de coagulação (para avaliar uso de varfarina); RX tórax (avaliar anormalidade pulmonar, também pode auxiliar na detecção de insuficiência cardíaca); Ecocardiografia nos casos em que não for necessário encaminhamento ao cardiologista (vide abaixo), quando houver risco aumentado ou suspeita de doença cardíaca subjacente (ex: sopro ou sinais de insuficiência cardíaca); ou ainda quando pode ser necessário para avaliar necessidade de início de terapia antitrombótica....

Qual a conduta para pacientes com Hanseníase, poliquimioterapia completa e crises reacionais do tipo 2 frequentes, apesar de uso contínuo de talidomida?

Na hipótese de não ter sido feito uso de corticóides, cursos de Prednisona por períodos curtos pode ajudar na resolução da sintomatologia e na prevenção de seqüelas das reações hansênicas tipo 2, a cada nova “crise”. Importante ressaltar que seu uso é mandatório nos casos de comprometimento neural, irite ou iridociclite, orquiepididimite, mãos e pés reacionais, nefrite, eritema nodoso necrotizante e vasculite. Alternativamente à Talidomida, Clofazimina pode ser usada na dose de 300 mg/dia com uma redução gradual para 100 mg/dia ou menos, após boa resposta, por longos períodos....

Como manejar hemorragia digestiva baixa por Doença Diverticular do Colon?

Na vigência de sangramento gastrointestinal baixo e maciço a paciente deve ser encaminhada para serviço de emergência. Opta-se inicialmente pelo tratamento conservador através de hemotransfusão, angiografia ou colonoscopia terapêuticas. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais aumenta o risco de sangramento por doença diverticular, sendo que mais de 50% dos pacientes que se apresentam com divertículo sangrante estão fazendo uso de AINEs. Aqueles pacientes com sangramento baixo maciço recorrente, nos locais onde angiografia ou colonoscopia terapêutica não estão disponíveis, tem indicação cirúrgica....

Como proceder frente a uma parada cardiorrespiratória em ambiente não hospitalar?

No que se refere à respiração boca a boca, muitos leigos e até alguns profissionais de saúde sentem um pouco de medo de fazer a respiração numa pessoa desconhecida, temendo contrair doenças. Além disso, ela pode ter apresentado vômito ou qualquer outro problema que causam constrangimento. Por isso, hoje a recomendação mundial é realizar a massagem cardíaca efetivamente. Se a pessoa não se sentir segura e à vontade para realizar a respiração boca a boca, deve manter a massagem cardíaca até a chegada do socorro....

Qual a melhor conduta frente uma paciente com pólipo endocervical assintomático?

Os pólipos cervicais geralmente são endocervicais, são quase sempre benignos e na maior parte das vezes assintomáticos. São encontrados em aproximadamente 4% das mulheres e ocorrem com maior frequência na perimenopausa e em multíparas entre 30 e 50 anos. A sua causa é desconhecida, mas podem ocorrer como consequência de inflamação, trauma ou gestação. Mulheres na pós-menopausa com pólipos cervicais têm maior probabilidade de apresentarem também pólipos endometriais, e a terapia de reposição hormonal não interfere nesta associação....

Que exames devem ser solicitados no acompanhamento do pré-natal de baixo risco?

A Organização Mundial da Saúde, em uma série de recomendações baseadas em revisão sistemática de estudos controlados e da aplicação dos conceitos da Medicina Baseada em Evidências, aponta que “o cuidado na gestação e no parto normais deve não ser medicalizado, o que significa que o cuidado fundamental deve ser previsto utilizando um conjunto mínimo de intervenções que sejam realmente necessárias (1). Segundo o Ministério da Saúde, os exames laboratoriais abaixo devem ser solicitados de rotina no pré-natal de baixo risco para todas as gestantes, não fazendo distinção em suas recomendações entre a gestante atendida no setor público ou privado (1): Tipagem sanguínea: Solicitar na primeira consulta....

Qual a abordagem inicial de um paciente com leucopenia?

Os leucócitos, ou glóbulos brancos, protegem o corpo de infecções e participam em muitos tipos de resposta imunológica e inflamatória. Existem dois tipos principais de leucócitos: os linfócitos, que são responsáveis pela produção de anticorpos e pela imunidade celular, e os fagócitos, que fagocitam e destroem os micro-organismos. Neutrófilos, monócitos, macrófagos e eosinófilos são todos fagócitos. Os leucócitos interagem entre si e modulam respostas imunológicas pela liberação de citocinas, enzimas e substâncias vasoativas....

Que cuidados o Agente Comunitário de Saúde pode orientar para pacientes com úlcera varicosa?

Uma úlcera varicosa é uma lesão de pele abaixo do joelho que leva mais de seis semanas para cicatrizar. Pode variar em tamanho, cor e profundidade. Ela pode durar muito tempo e retornar várias vezes após cicatrizar. Geralmente é causada por problemas na circulação venosa das pernas. Pode ser dolorosa e causar irritação, coceira e inchaço na perna afetada. É mais comum com o avançar da idade – raramente ocorre antes dos 45 anos – com a obesidade e com a imobilidade....

A sinvastatina é a estatina mais adequada a ser empregada no SUS?

As estatinas (inibidores da HMG-CoA redutase) são os medicamentos de primeira linha para reduzir os níveis de LDL-Colesterol em adultos (18-55%). A ação é decorrente da inibição da HMG-CoA redutase, enzima responsável pela síntese do colesterol. As estatinas também elevam o HDL-C de 5-15% e reduzem os triglicerídeos de 7-30%, podendo também ser utilizadas no tratamento das hipertrigliceridemias leves a moderadas. As estatinas diminuem os eventos isquêmicos coronarianos, a necessidade de revascularização do miocárdio, a mortalidade por causas cardíacas e totais e os acidentes vasculares cerebrais....

Quais as contra-indicações para o uso de Ácido Acetilsalicílico (AAS) na prevenção primária e secundária de doenças cardiovasculares?

De acordo com o Clinical Knowledge Summaries a única contraindicação (relativa) para uso de AAS a pacientes com indicação de seu uso devido a alto risco cardiovascular, tanto para prevenção primária como para prevenção secundária, relacionada à sexo ou faixa etária, diz respeito à pacientes com idade inferior a 16 anos. Nestes raros casos a prescrição só deve ocorrer após avaliação de especialista focal 1. Embora não haja outras contraindicações quanto ao uso do AAS, relacionados a sexo e faixa etária, na prática ocorre que ambos são fatores que influenciam na indicação da prescrição de AAS....